Câncer de cabeça e pescoço é o terceiro mais comum no Brasil

Especialistas alertam para sintomas como rouquidão e feridas na boca Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil São Paulo © SBCO/Divulgação Versão em áudio Depois do anúncio do narrador esportivo Luis Roberto, de 64 anos, sobre seu diagnóstico de neoplasia localizada na região cervical, o tema tem chamado a atenção e levantado alertas e dúvidas.  Neoplasia é o termo médico para descrever o crescimento … Leia Mais


Inscrições para o programa Mais Médicos seguem até quarta-feira

Saúde abre mais de 1,5 mil vagas para áreas prioritárias do SUS Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil Brasília © Fernando Frazão/Agência Brasil Versão em áudio As inscrições para o 45º ciclo do projeto Mais Médicos para o Brasil (PMMB) podem ser feitas até quarta-feira (8).  O projeto é voltado à atuação na Atenção Primária … Leia Mais


OMS recomenda testes de diagnóstico rápido para erradicar tuberculose

Hoje é o Dia Mundial da Tuberculose Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Brasília © Agecom Bahia Versão em áudio No Dia Mundial da Tuberculose, lembrado nesta terça-feira (24), a Organização Mundial da Saúde (OMS) cobrou maiores esforços para erradicar a doença e ampliar o acesso a novas tecnologias, incluindo testes diagnósticos que podem … Leia Mais


Anvisa libera medicamentos para diabetes, câncer de mama e angioedema

O teplizumabe é indicado para retardar o início do diabetes tipo 1 Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil São Paulo © Marcelo Camargo/Agência Brasil Versão em áudio A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novos medicamentos para o tratamento do diabetes tipo 1, para o câncer de mama e para o angioedema hereditário. Os registros … Leia Mais


Sobe para 140 número de casos confirmados de Mpox no país, em 2026

Estado que mais registrou casos da doença foi São Paulo, com 93 Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil São Paulo © Reuters/Dado Ruvic/proibida a reprodução Versão em áudio O número de casos confirmados de Mpox no país subiu para 140 desde o início de 2026. Não houve registro de mortes decorrentes da doença no período. … Leia Mais


Estudo sergipano associa atividade do hormônio do crescimento a câncer, alzheimer e doenças cardíacas


Pesquisa desenvolvida por profissionais do Hospital Universitário de Sergipe sobre o tema tem reconhecimento mundial em periódico científico. HU-UFS/Ebserh apresenta importante papel no estudo e no acompanhamento de pacientes afetados

 

Clique Para Download

Professor Manuel Hermínio Aguiar, endocrinologista e pesquisador atuante no HU-UFS/Ebserh. Foto: Ebserh

 

Aracaju (SE) – Pouco mais de 30 anos após o início da pesquisa sobre a relação entre o hormônio do crescimento e o nanismo, a linha de estudo liderada por pesquisadores que atuam no Hospital Universitário de Sergipe (HU-UFS), da Rede Ebserh, continua fértil. Foi aceito, para publicação numa das revistas mais importantes do mundo na área de endocrinologia (European Journal of Endocrinology), um trabalho da equipe liderada pelo professor Manuel Hermínio Aguiar, endocrinologista e pesquisador da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e atuante no HU-UFS/Ebserh. Ele iniciou, há 32 anos, uma pesquisa que não apenas identificou a causa do nanismo em dezenas de indivíduos do município sergipano de Itabaianinha como também transformou a comunidade em um modelo vivo de estudo inédito no mundo.
“O trabalho aceito no periódico internacional é chamado de Bioatividade do IGF-1. O IGF-1 é o mediador principal das ações do hormônio do crescimento. Estudando a bioatividade, a gente compreende, de certa forma, como prevenir doenças graves – câncer, Alzheimer e cardiovasculares – tem relação não só com o nível do hormônio do crescimento, mas também com a atividade desse hormônio. Ou seja, a quantidade e o comportamento do IGF-1 no organismo podem acarretar baixa estatura e serem fatores importantes para o desenvolvimento dessas enfermidades”, ressalta professor Manuel.

Clique Para Download

Foto: Hyder Aragão.

 

O nanismo em Itabaianinha

O município sergipano de Itabaianinha, distante cerca de 120km da capital Aracaju (SE), guardava uma incógnita genética que, ao ser desvendada pela ciência sergipana, revolucionou o entendimento mundial sobre o hormônio de crescimento. Mais precisamente no povoado Carretéis, a quantidade de pessoas com nanismo impressionava o mundo, até que, em 1994, o professor Manuel iniciou numa verdadeira jornada científica na região.
De acordo com o médico, o nanismo em Itabaianinha foi perpetuado por uma peculiaridade social e geográfica. “A população vivia em uma área de ‘isolamento geográfico’, concentrada em um raio de cerca de 25km, na qual casamentos consanguíneos – que ocorrem entre primos, tios e sobrinhos – eram comuns. Essa endogamia permitiu o encontro e a união das cópias de ‘genes mutados’, resultando em uma condição que se manifestava na deficiência isolada do hormônio de crescimento”, resume o médico.
Elucidação

Ele explica que a elucidação do defeito genético foi possível graças a uma colaboração internacional. “Enviamos material sanguíneo ao endocrinologista e pesquisador atuante na Universidade John Hopkins, em Baltimore (EUA), Roberto Salvatore, que permitiu identificar o problema: uma mutação no gene do receptor que libera o hormônio de crescimento. É a mesma coisa de você ter o receptor para um canal de televisão aberto, mas não poder ver os outros canais”, compara o professor. “O sinal está presente, mas o receptor está ausente ou ineficaz, e, portanto, o hormônio de crescimento é muito pouco liberado”, diz.
Inicialmente, o foco do estudo, que teve a participação de outros professores, foi o tratamento. “Com injeções diárias e subcutâneas, os pacientes começaram a crescer, gerando entusiasmo. Contudo, infelizmente, ao atingirem uma altura acima de 1,40m, muitos desistiram do tratamento. E a razão social subjacente a essa decisão foi que o fato de ser pequeno sem gerar fator de discriminação, em uma comunidade que eu chamo amigável, em uma comunidade natural, sem gerar preconceito, não trouxe maiores incômodos para eles” observa o pesquisador.
“Era uma operação de guerra no começo, porque boa parte dos pesquisados morava em zona rural, inclusive sem acesso à eletricidade, e a gente conseguiu algumas geladeiras a gás, sendo que o gás era pago por nós. Para aplicar as injeções acondicionadas nessas geladeiras, nós treinamos pessoas da comunidade. Tudo foi válido, porque desde então temos o único modelo disponível no mundo todo para se caracterizar o papel desse hormônio de crescimento. Estudamos o que se puder imaginar no organismo humano, sobre quase todos os aspectos, quase todos, pois nunca podemos dizer todos”, relata.
Polo de investigação

A partir dos primeiros resultados da pesquisa, a UFS se tornou um polo de investigação multidisciplinar, avaliando o papel do hormônio de crescimento na altura, na composição corporal, no aspecto cardiovascular, no metabolismo, na voz, no osso, no músculo, no psiquismo, na pele, nos dentes e, por fim, na imunidade, incluindo mais recentemente a resposta a doenças como a Covid. “A pesquisa evoluiu para uma dimensão de estudo de impacto global. Os indivíduos de Itabaianinha se tornaram o único modelo disponível no mundo para se caracterizar o papel do hormônio de crescimento no organismo humano. Esta riqueza de dados já gerou mais de 50 dissertações de mestrado e doutorado”, ressalta Manuel Hermínio.
“Estudamos todos esses aspectos de uma forma muito respeitosa com as diversas áreas do conhecimento e ajudamos, com isso, a formar um grande número de professores que atuam hoje no HU-UFS/Ebserh”, complementa.
Assistência global

Atualmente, após 32 anos do início da pesquisa, aproximadamente 60 pessoas da comunidade de Itabaianinha permanecem sendo acompanhadas pelo HU-UFS/Ebserh, com uma equipe multidisciplinar ativa composta por cerca de 30 a 40 profissionais, garantindo assistência de qualidade até o fim da vida desses pacientes. “A expectativa de vida dos indivíduos com nanismo é considerada normal. Embora houvesse a suspeita de que pudessem viver mais, devido ao vigor juvenil que mantêm na idade avançada, o fato de se submeterem, com mais frequência, a atividades insalubres ou acidentes prejudica essa longevidade. O grande desafio agora é garantir uma atenção global que vai além do tratamento médico. É preciso um maior engajamento das prefeituras locais para oferecer assistência social, fisioterapia e atividades de lazer que fiquem mais próximas do local onde eles vivem”, aborda.
O professor Manuel Hermínio, que celebrou, em 2025, 45 anos na universidade, diz estar satisfeito por construir um legado sólido, garantindo que jovens pesquisadores continuem a prestar essa assistência essencial. “É uma atividade que não é exclusivamente um mérito meu. De fato, tenho uma grande participação, realmente sem vaidade, no estabelecimento da Universidade Federal de Sergipe como importante produção de ciência, especialmente nessa pesquisa, que teve início também com a professora Anitta Hermínia, o professor Walter Marcelo (in memorian) e Roberto Ramalho, e acabou por tomar uma proporção mundial”, declara.
Como forma de humanizar a pesquisa e fortalecer os laços com a comunidade, os pesquisadores mantêm a tradição há mais de três décadas de realizar uma confraternização de Natal anualmente. A última, em 12 de dezembro de 2025, ocorreu em um clube de Aracaju (SE).
Sobre a Ebserh

O HU-UFS faz parte da Rede Ebserh desde outubro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.


Casos de sarampo crescem 32 vezes nas Américas; OMS emite alerta


Apesar de ter 38 casos, Brasil é considerado país livre da doença

Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 07/05/2025 – Vacinas de poliomelite, sarampo; caxumba e rubéola produzidas por Bio-Manguinhos/Fiocruz, exibidas no 9º Simpósio Internacional de Imunobiológicos. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
© Fernando Frazão/Agência Brasil
Versão em áudio

O aumento de quase 23 vezes no número de casos de sarampo nas Américas na passagem de 2024 para 2025 fez a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), emitir um alerta para países da região.

Em 2025, o continente identificou 14.891 registros da doença, um salto em relação aos 446 casos do ano anterior. Foram 29 mortes em 2025.

Já em 2026, a comparação mostra crescimento ainda maior. Em janeiro, dados parciais da Opas apontam 1.031 casos, número quase 45 vezes superior aos 23 do mesmo período de 2025. Não há confirmação de morte.

Tanto nos dados de 2025 e 2026, a grande concentração de casos está na América do Norte. Em 2025, México (6.428), Canadá (5.436) e Estados Unidos (2.242) somam quase 95% dos casos (14.106).

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Em 2026, as três nações representam 948 registros, 92% das notificações no continente.

O alerta da Opas detalha que a grande maioria dos casos acontece com pessoas sem histórico de vacinação contra a doença.

Nos Estados Unidos, 93% das pessoas que contraíram a doença não estavam vacinados ou apresentavam histórico vacinal desconhecido. No México, eram 91,2%; já no Canadá, 89% dos casos.

A Opas considera que “o aumento acentuado dos casos de sarampo na região das Américas durante 2025 e no início de 2026 constitui um sinal de alerta que requer uma ação imediata e coordenada por parte dos Estados Membros”.

Em novembro passado, a Opas já tinha retirado do continente o certificado de região livre de transmissão do sarampo.

Brasil livre

O Brasil somou 38 notificações em 2025, sendo praticamente todos (36) sem histórico de vacinação. Em 2024, foram quatro registros. Em 2026, não há caso reconhecido.

Apesar do aumento de 2024 para 2025, o país ostenta o status de país livre do sarampo.

A Opas detalha que, dos 38 casos da doença em 2025, dez correspondem a casos importados ─ quando uma pessoa é infectada pelo vírus no exterior ─; 25 a casos relacionados à importação; e três têm fonte de infecção desconhecida.

Os casos confirmados foram no Distrito Federal (um), Maranhão (um), Mato Grosso (seis), Rio de Janeiro (dois), São Paulo (2), Rio Grande do Sul (um) e Tocantins (25).

Manutenção da vigilância

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, aponta que o surto nos países da América do Norte acontece em um momento em que o Brasil vem controlando o sarampo. Ele lembra que o país recuperou em 2024 o certificado de livre da doença.

Em 2018, com grande fluxo migratório associado à então baixa cobertura vacinal, o vírus voltou a circular. Em 2019, após um ano de circulação do sarampo, o Brasil perdeu o status.

Para Kfouri, o surto em países da América leva “risco constante” ao Brasil por causa da circulação de pessoas.

“Voos diários do Canadá, México e Estados Unidos para cá fazem com que seja inexorável a entrada de alguém com sarampo no nosso território”, disse à Agência Brasil.

Kfouri sustenta que o Brasil precisa seguir com esforços para manter a condição de zona livre do sarampo.

“Nosso grande desafio é manter a vigilância atenta, reconhecer esses casos suspeitos que entram no país e termos altas coberturas vacinais, para que esses casos que entrem não se traduzam em transmissão sustentada da doença”, destaca o vice-presidente.

Entenda a doença

sarampo é uma doença viral altamente contagiosa que pode evoluir para complicações e levar à morte. Entre os sintomas figuram febre, tosse, coriza, perda de apetite e conjuntivite, com olhos vermelhos, lacrimejantes e fotofobia.

Há também manchas vermelhas na pele. Erupções começam no rosto, na região atrás da orelha, e se espalham pelo corpo. A pessoa também pode sentir dor de garganta.

A pele pode descamar, como se fosse queimadura. O sarampo pode causar condições graves como cegueira, pneumonia e encefalite (inflamação do cérebro).

Vacinação

A principal forma de prevenção contra a doença é a vacinação, oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que faz parte do calendário básico de vacinação infantil.

A primeira dose deve ser tomada aos 12 meses de idade, com o imunizante tríplice viral, que protege também contra a caxumba e a rubéola. A segunda dose é aplicada aos 15 meses.

Qualquer pessoa com até 59 anos que não tenha comprovante de imunização ou não tenha completado o esquema vacinal deve atualizar a carteira de vacinação. O governo faz campanhas regulares de vacinação.

De acordo com o Ministério da Saúde, dados preliminares de 2025 apontam “avanço expressivo” da cobertura da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, em relação a 2022.

A cobertura vacinal aumentou de 80,7% para 93,78%, enquanto a aplicação da dose de reforço passou de 57,6% para 78,9% no mesmo período, “evidenciando a retomada das coberturas no país”.

A Sociedade Brasileira de Imunizações explica que a cobertura mínima necessária para evitar surtos é de 95%.

Recomendações

Entre as recomendações da Opas estão:

  • Reforçar, com caráter prioritário, as atividades de vigilância e vacinação de rotina e a garantirem uma resposta rápida e oportuna aos casos suspeitos;
  • Implementar pesquisas ativas nas comunidades, instituições e laboratórios para a identificação precoce de casos;
  • Desenvolver atividades complementares de vacinação destinadas a eliminar as lacunas de imunidade.

Ações do ministério

Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Saúde informou que tem orientado estados e municípios a reforçar a vigilância epidemiológica, a vacinação e as ações de prevenção.

“As medidas incluem a investigação rápida de casos suspeitos e a ampliação das coberturas vacinais”, diz em nota.

A pasta cita que, em 2025, para proteger a população, especialmente nas regiões que fazem fronteira com a Bolívia, o Brasil intensificou a vacinação contra o sarampo nos estados fronteiriços e doou mais de 640 mil doses da vacina ao país vizinho.

“Ações de imunização contra a doença também foram intensificadas nos municípios de fronteiras com a Argentina e Uruguai e em cidades turísticas e de alto fluxo”, completa.

 


Reino Unido alerta para pancreatite associada a canetas emagrecedoras


Doença é efeito colateral conhecido, mas pouco frequente, diz agência

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil
Brasília
FILE PHOTO: Mounjaro is displayed in a pharmacy in Provo. REUTERS/George Frey/File Photo
© REUTERS/George Frey/File Photo

A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido emitiu alerta para o risco, ainda que pequeno, de casos de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam medicamentos agonistas GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

Em nota, a agência destacou que a pancreatite aguda é um efeito colateral conhecido, porém pouco frequente, do uso desse tipo de medicamento.

“Em alguns casos extremamente raros, as complicações da pancreatite aguda podem ser particularmente graves”.

De acordo com o comunicado, médicos e pacientes devem estar atentos aos sintomas iniciais de pancreatite aguda para que o quadro não evolua para forma grave, incluindo dor abdominal intensa e persistente que pode irradiar para as costas e ser acompanhada de náuseas e vômitos.

A diretora de Segurança da MHRA, Alison Cave, destacou que, para a grande maioria dos pacientes que recebem prescrição médica para utilizar medicamentos agonistas GLP-1, eles se mostram seguros e eficazes, “proporcionando benefícios significativos para a saúde”.

“O risco de desenvolver esses efeitos colaterais graves é muito pequeno, mas é importante que pacientes e profissionais de saúde estejam cientes e atentos aos sintomas associados”, completou Alison.

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Entenda

Os medicamentos agonistas GLP-1 são prescritos para o tratamento de diabetes tipo 2 e, no caso de produtos específicos, para o controle de peso e a redução do risco cardiovascular em indivíduos com doença estabelecida e alto índice de massa corpórea (IMC).

Pesquisa recente publicada pela University College London estima que 1,6 milhão de adultos na Inglaterra, no País de Gales e na Escócia usaram as chamadas canetas emagrecedoras, incluindo a semaglutida (Wegovy e Ozempic) e a tirzepatida (Mounjaro), entre o início de 2024 e o início de 2025, com o objetivo de perda de peso.

Edição: Graça Adjuto


Uso de Mounjaro levanta alerta sobre inflamação grave no pâncreas


Remédios populares para emagrecer são associados a casos graves de pancreatite

 

Mounjaro
Mounjaro – 
A agência reguladora de medicamentos do Reino Unido emitiu um alerta após a notificação de casos graves de pancreatite em pacientes que utilizam as famosas canetas emagrecedoras, como Mounjaro e Wegovy, indicados para o tratamento do diabetes tipo 2.Em parte dos registros, a inflamação do pâncreas evoluiu para quadros severos, incluindo pancreatite necrosante e óbitos, o que levou ao reforço das orientações de segurança.

Os dados analisados apontam que o efeito adverso é raro em relação ao volume de medicamentos distribuídos, mas a gravidade dos casos motivou o alerta. Por isso, pacientes em uso dessas canetas injetáveis devem procurar atendimento médico imediato ao apresentar sintomas como dor abdominal intensa e persistente, especialmente quando acompanhada de náuseas e vômitos.

As recomendações também se estendem aos profissionais de saúde, que devem investigar o uso desses medicamentos em pacientes com queixas compatíveis com pancreatite, já que parte das compras ocorre fora do sistema público e pode não constar no prontuário.

As farmacêuticas responsáveis afirmam que os benefícios do tratamento superam os riscos quando há indicação adequada, mas reforçam que o uso deve ser feito exclusivamente com acompanhamento médico.


Mobilização para produzir vacina contra covid deixou legado para o SUS


Bio-Manguinhos/Fiocruz aproveita tecnologia em outras pesquisas

Tâmara Freire – repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro
Vacina de Oxford/AstraZeneca
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
Versão em áudio

No dia 8 de dezembro de 2020, menos de 1 ano após a primeira comunicação oficial sobre as infecções causadas pelo coronavírus, a britânica Margaret Keenan se tornava a primeira pessoa vacinada contra a doença no mundo fora dos ensaios clínicos.

A rapidez, classificada como suspeita por disseminadores de desinformação, na verdade foi uma demonstração do nível de mobilização global para controlar a doença, e uma vitória do acúmulo científico. A avaliação é da diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, uma das pessoas responsáveis por trazer a vacina ao Brasil.

A pesquisadora explica que todas as vacinas, mesmo as vacinas de RNA e as de vetor viral, já eram plataformas estabelecidas, que já tinham sido desafiadas e usadas em outras situações.

“Elas só passaram por uma adequação. Não surgiram do nada. Tem muito acúmulo de pesquisa, muito acúmulo de conhecimento que foi aproveitado pro desenvolvimento rápido de novas vacinas”, complementa.

Durante a pandemia, Rosane era vice-diretora de qualidade em Bio-Manguinhos, que é a unidade da Fiocruz responsável pela produção de vacinas, biofarmacos e kits diagnósticos. O instituto trouxe a vacina de Oxford/Astrazeneca para o Brasil, e entregou ao todo 190 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunizações.

 

Rio de janeiro (RJ), 19/01/2026 - Rosana Cuber. Foto: André Rocha/Ascom Bio-Manguinhos
diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Biomanguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber Foto: André Rocha/Ascom Bio-Manguinhos

Mobilização

O trabalho no instituto teve início assim que os casos de covid-19 começaram a se espalhar pelo mundo. Em março de 2020, no mesmo mês em que a pandemia foi decretada pela Organização Mundial da Saúde, Bio-Manguinhos inaugurou sua produção de testes para o diagnóstico do vírus.

Em paralelo, outro grupo de trabalho dentro da instituição passou a prospectar vacinas em desenvolvimento, para identificar qual poderia ser trazida ao Brasil por meio de um contrato de transferência de tecnologia.

As negociações com a Universidade de Oxford e a farmacêutica Astrazeneca começaram em agosto do mesmo ano e logo exigiram adaptações no instituto, a começar pela construção de um arcabouço jurídico que permitisse a transferência de tecnologia de um produto que ainda não estava pronto.

“A gente conseguiu porque nós paramos todas as outras atividades do instituto. Os grupos todos se voltaram para esse único objetivo de trazer a vacina, com muitos treinamentos diários”.

“A gente teve uma mobilização da sociedade civil também muito grande para poder facilitar a compra de equipamentos, insumos, material”.

Transferência de tecnologia

A primeira leva da vacina Oxford/Astrazeneca, com 2 milhões de vacinas prontas, chegou ao Brasil em janeiro de 2021, dias após a aprovação de uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A aplicação começou no dia 23 de janeiro.

Já a partir de fevereiro, apenas o ingrediente farmacêutico ativo (IFA) da vacina continuou a ser importado, e o instituto passou a fazer o envaze, a rotulagem e o controle de qualidade nas suas próprias instalações.

 

As vacinas seguem agora para o Controle de Qualidade interno de Bio-Manguinhos, onde uma análise minuciosa irá garantir a sua integridade e segurança (foto: Bio-Manguinhos/Fiocruz)
Controle de Qualidade interno de Bio-Manguinhos durante a produção das vacinas contra covid-19 foto: Bio-Manguinhos/Fiocruz

Enquanto isso, lembra Rosane, áreas produtivas foram adaptadas para a última etapa da transferência de tecnologia: a produção do IFA em solo nacional. A partir de fevereiro de 2022, a população passou a receber a vacina 100% brasileira.

Rosane Cuber ressalta que todo esse processo foi facilitado pelas capacidades que Bio-Manguinhos já possuía, como principal laboratório público de desenvolvimento de vacinas do Brasil. A diretora explica ainda que a Anvisa acompanhou todo o processo de perto, reforçando a segurança da vacina.

“A gente já tem uma história muito grande de fazer transferência de tecnologia e de produzir aqui. Então, realmente, só foi possível porque Bio-Manguinhos tinha capacidade instalada. A gente já tem vacinas que são completamente nacionalizadas, que são produções nossas de muitos anos. E que possibilitaram não só um conhecimento técnico, mas também uma capacidade industrial instalada”

Legado

A produção da vacina pela Fiocruz foi interrompida com o fim da pandemia, depois que outras vacinas mais modernas passaram a ser adquiridas pelo Ministério da Saúde. O imunizante produzido pelo instituto foi o mais utilizado no Brasil em 2021, ano em que a imunização começou no Brasil. Especialistas estimam que 300 mil vidas foram poupadas apenas neste primeiro ano

“Só o fato da gente ter conseguido contornar e bloquear a covid no Brasil, isso por si só já bastaria como legado. Mas, além disso, esse processo nos deixou qualificados e com a estrutura fabril pronta para outros produtos que são importantes também para os SUS” afirma a diretora de Bio-Manguinhos.

Uma das heranças diretas desse período é a pesquisa para criar uma terapia avançada para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME), doença rara e degenerativa que leva à perda da força muscular, afetando a mobilidade e até a deglutição e a respiração. Os medicamentos disponíveis chegam a custar R$ 7 milhões.

A terapia criada por Bio-Manguinhos utiliza uma plataforma de vetor viral, a mesma utilizada na vacina de Oxford/Astrazeneca. A Anvisa já autorizou os estudos clínicos para verificar a eficácia do medicamento, que devem começar este ano.

“São terapias caríssimas e que a gente vai conseguir fazer uma redução aí significativa de custo pro SUS”, reforça Rosane.

Este ano também começam os testes em humanos de uma vacina contra a covid-19 utilizando a tecnologia de RNA mensageiro, a mesma utilizada na vacina da Pfizer, por exemplo. Rosane Cuber explica que a plataforma já estava sendo estudada no instituto para o tratamento do câncer, mas a criação de vacinas de mRNA durante a pandemia abriu os horizontes de pesquisa também para essa finalidade.

 

Rio de Janeiro (RJ), 07/05/2025 – Bio-Manguinhos/Fiocruz realiza 9º Simpósio Internacional de Imunobiológicos. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Bio-Manguinhos/Fiocruz segue realizando pesquisas com a plataforma mRNA. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“Covid é um vírus que veio para ficar. Hoje, ele não é mais pandêmico, mas a gente ainda tem surtos. Se eu produzo essa vacina nacionalmente, eu reduzo o preço, e tem uma questão de soberania. Com uma vacina 100% nacional, você não precisa depender de ninguém”, defende Rosane Cuber.

O desempenho do instituto da Fiocruz durante a pandemia também aumentou a sua projeção global. Bio-Manguinhos é um dos seis laboratórios no mundo escolhidos como centro de produção pela Coalização para Inovações em Preparação para Epidemias. Isso significa que, se uma nova epidemia ou pandemia acontecer, o laboratório brasileiro será acionado e receberá informações em primeira mão para desenvolver e produzir vacinas para toda a América Latina.

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz também foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde como hub regional para o desenvolvimento de novos produtos com a plataforma de rna mensageiro. Rosane destaca a importância desse reconhecimento, considerando que Bio-Manguinhos é um laboratório público.

“O nosso direcionamento não é o lucro, mas sim aquilo que é lucro para sociedade. A gente faz entregas para a população brasileira”