Delegacia Digital da Mulher permite que vítima denuncie mais rápido

Unidade virtual oferece suporte 24 horas por dia Douglas Corrêa – Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro © Freepick Versão em áudio Denúncias de violência doméstica podem ser feitas de forma remota, com rapidez e segurança, na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam Digital) do Rio de Janeiro. O serviço especializado permite que a vítima formalize … Leia Mais


Brasil multa TikTok em R$ 153,7 mi por falhas em dados de adolescentes

Plataforma terá de excluir perfis que não indicarem representantes Agência Brasil Brasília © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil Versão em áudio A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) aplicou multas que somam R$ 153,7 milhões à ByteDance Brasil Tecnologia, responsável pela plataforma TikTok no país, por infrações ligadas a perfis de crianças e adolescentes. A sanção está publicada no Diário Oficial … Leia Mais


Mulheres sob proteção receberão aviso quando agressor se aproximar

Programa Alerta Mulher Segura quer aumentar rede de defesa Agência Brasil Brasília © Paulo Pinto/Agência Brasil Versão em áudio O Programa Alerta Mulher Segura vai monitorar eletronicamente agressores como medida protetiva de urgência em casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. A iniciativa regulamenta dispositivo da Lei Maria da Penha que autoriza o monitoramento eletrônico de autores de violência. … Leia Mais


Feira de Santana fecha o 1º semestre de 2026 com 2.262 casos de violações contra a pessoa idosa; queda foi de 1,5% no comparativo com o mesmo período do ano passado

  Dados são do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e implicam em maus-tratos, exploração sexual e até tráfico de pessoas; De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), até o final de 2026, pela primeira vez na história, haverá mais idosos do que crianças no planeta. O último Censo, produzido pelo Instituto Brasileiro … Leia Mais


Movimentação nas fronteiras do Brasil sobe 15,6% em 2025

Brasileiros e turistas são maioria nas entradas e saídas Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil São Paulo © Polícia Federal/ Divulgação Mais de 36,4 milhões de pessoas se movimentaram pelas fronteiras brasileiras em 2025, trânsito que foi o maior da série histórica e representou um aumento de 15,6% em relação a 2024. Os dados foram … Leia Mais


Junho Violeta: BA ultrapassa os 23 mil casos de violações contra a pessoa idosa em 2026


Dados de violações são do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e engloba qualquer ato que atente ou viole os direitos humanos da vítima;

Junho Violeta é uma campanha de conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa, a fim de promover o respeito, dignidade e proteção aos direitos dos idosos

 

Neste mês é celebrada a campanha Junho Violeta, com destaque para o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, em 15 de junho, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para sensibilizar a sociedade sobre a violência contra idosos. A cor violeta simboliza dignidade, respeito e sensibilidade, valores essenciais para garantir um envelhecimento com qualidade de vida.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a população mundial com 60 anos ou mais era de aproximadamente 1 bilhão de pessoas em 2020 e deverá ultrapassar 2 bilhões até 2050. O último Censo, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em doze anos no Brasil. Já a população idosa com 60 anos ou mais chegou a 32,1 milhões de pessoas, 15,8% da população do país. O aumento é de 56% em relação a 2010, quando era de 20,5 milhões (10,8%).

De acordo com o Painel Dados do Ministério de Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), somente no ano passado o Brasil registrou 1.070.215 casos de violações (qualquer fato que atente ou viole os direitos humanos de uma vítima. Ex. Maus tratos, exploração sexual, tráfico de pessoas) contra a pessoa idosa.

Em um recorte regional, o estado da Bahia apresenta até o momento 23.728 casos. Somente na capital Salvador, já foram registrados 6.255 casos de violações neste 2026. Em todo o Brasil, em 2026, são 536.732 (Dados atualizados em 08/06/2026).

 

O que chama atenção ainda diante desses números do MDHC, é que há poucos registros da denúncia. Do total dos 23.728 casos na Bahia este ano, por exemplo, apenas 2.472 denúncias foram efetivadas (Quantidade de registros que demonstra a quantidade de vezes em que os usuários buscaram a ONDH para registrarem uma denúncia. Um protocolo de denúncia pode conter uma ou mais denúncias).
“A denúncia deve ser formalizada. Esta ação contribui para uma intervenção imediata das autoridades para proteger a vítima e garantir a sua segurança, além de ajudar na responsabilização dos agressores e na prevenção de futuras ocorrências”, alerta a docente Ma Sabrine Silva Kauss, coordenadora do curso de Direito da Faculdade Unime Anhanguera

 

A especialista enfatiza ainda, que a denúncia é também uma forma de afastar o agressor da vítima, puni-lo e fomentar ações efetivas contra esse problema. “A partir disso, a pessoa idosa recebe acesso a recursos e apoio, incluindo assistência jurídica, abrigo, aconselhamento e serviços de saúde mental, que podem ajudá-la a se recuperar desses traumas”, indica.

 

Por fim, Sabrine alerta que as violências mais frequentes são: violência física; abuso psicológico; negligência, abandono e violência institucional (que trata de qualquer tipo de violação exercida dentro do ambiente institucional público ou privado. Instituições também podem cometer negligência por meio de uma ação desatenciosa ou omissa por parte dos funcionários ou por não cumprir alguma ação que deveria ter sido realizada); abuso financeiro; violência patrimonial; violência sexual; e discriminação.

 

A denúncia deve ser formalizada junto aos órgãos competentes para apuração e providencias, como o Ministério Público, Delegacias do Idoso e Defensoria Pública. Denúncias de violências podem ser feitas ainda pelo Disque 100. O canal de atendimento coordenado pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH/MDHC) é gratuito, sigiloso e está disponível 24 horas por dia. Além de ligação gratuita, os serviços podem ser acessados por meio do site da Ouvidoria, aplicativo Direitos Humanos, Telegram (digitar na busca “Direitoshumanosbrasil”) e WhatsApp (61) 99611-0100. O canal também possui atendimento em Libras.


BA ultrapassa os 10 mil casos de violações contra a mulher em 2026; 14% a mais no comparativo com o mesmo período do ano passado


Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania engloba qualquer ato que atente ou viole os direitos humanos da vítima – (Dados atualizados em 15.05.2026)

Dados baseados em pesquisas do DataSenado, da Rede Observatórios da Segurança e Ministério da Justiça (2025-2026), mostram que a violência contra a mulher no Brasil está em níveis críticos desde o ano passado, com cerca de 12 mulheres sofrendo algum tipo de violência a cada 24 horas e uma média de 4 feminicídios diários. Mais de 60% dos casos ocorrem dentro de casa, com um aumento alarmante de 56,6% na violência sexual, afetando majoritariamente crianças e adolescentes.
Segundo o Painel de Dados do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), na Bahia, considerando os casos de violações (qualquer fato que atente ou viole os direitos humanos de uma vítima, como maus tratos, exploração sexual, tráfico de pessoas) contra a mulher em 2026, já foram registrados 10.491 casos. Desse total, apenas 1.274 protocolos de denúncia (Quantidade de registros que demonstra a quantidade de vezes em que os usuários buscaram a ONDH para registrarem uma denúncia. Um protocolo de denúncia pode conter uma ou mais denúncias), foram efetivados. No comparativo com o mesmo período do ano passado o crescimento foi de 14,53%, haja vista que foram 9.160 casos registrados nos cinco primeiros meses de 2025.

 

Neste ano, a capital Salvador é a cidade com o maior número de casos no Estado, com um total de 4.044. (Dados atualizados em 15.05.2026).
Para a coordenadora do curso de Direito da Faculdade Unime Anhanguera Ma. Sabrine Silva Kauss, denunciar qualquer tipo de violência é importante porque pode levar à intervenção imediata das autoridades, a fim de proteger a vítima e garantir a segurança da mulher. Para Sabrine, a denúncia ajuda na responsabilização dos agressores, promove justiça para as vítimas e pode prevenir futuras ocorrências.
“Denunciar esse crime é essencial, pois gera reflexão e inquietação social. Ao denunciar, as vítimas podem receber proteção imediata contra o agressor, seja por meio de medidas de proteção, como ordens de restrição, ou por meio de acesso a abrigos seguros”, ressalta.
A especialista reforça que as denúncias ajudam a dissipar mitos e estigmas em torno da violência doméstica e de gênero, o que fomenta uma conscientização social.
“A denúncia pública pode incentivar a sociedade a abordar a violência de forma mais séria e a promover mudanças nas leis, políticas e práticas sociais para prevenir e responder efetivamente à violência. Como é mês de março é o mês da mulher, trazer esse assunto à tona tem um papel social fundamental acerca de promover iniciativas para dirimirmos, enquanto sociedade, esse problema”.
Sabrine destaca ainda, que denuncia têm acesso a uma variedade de recursos e apoio, incluindo assistência jurídica, abrigo, aconselhamento e serviços de saúde mental, que são fundamentais para ajudar as mulheres a se recuperarem do trauma sofrido.
Por fim, Ma. Sabrine Silva Kauss dá dicas sobre como as mulheres podem pedir ajuda. Confira também os canais de denúncia:

  • Realizar a chamada ao 190 polícia e conversar como se estivesse realizando pedido de delivery, é uma forma muito útil de pedido de socorro, ao perigo eminente sofrido pela mulher;
  • Além disso, qualquer cidadão pode fazer denúncias através da Central de Atendimento à Mulher, pelo número telefônico 180. As delegacias especializadas não são direcionadas a tratar apenas destes tipos penais, permitindo um socorro de forma mais ampla;
  • As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) realizam ações de prevenção, apuração, investigação e enquadramento legal. Nas unidades, é possível solicitar medidas de proteção de urgência nos casos de violência doméstica contra mulheres.
  • Na Bahia, há 15 Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deams) e sete Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher (Neams). Há também a Deam Online, com funcionamento 24 horas para o registro de ocorrências e atendimento. Em Salvador, as unidades ficam na Rua Padre Luís Filgueiras, em Brotas; e na Rua Dr. Walter Almeida, em Periperi. Lista Completa:

Cidades com mais casos registrados na Bahia, segundo o MDHC. Confira:

  • Salvador: 4.044
  • Feira de Santana: 583
  • Vitória da Conquista: 378
  • Camaçari: 265
  • Prado: 165
  • Porto Seguro: 142
  • Juazeiro: 125
  • Itabuna: 116

Quase 50% das mulheres maiores de 16 anos sofreram assédio em 2025


Dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Agência Brasil
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 10/03/2026 – Estudantes e trabalhadores do Colégio Pedro II protestam contra assédio sexual e silêncio institucional em frente à reitoria, em São Cristóvão, após caso de estupro coletivo envolvendo alunos. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) abriu, nessa segunda-feira (4), a Semana de Combate ao Assédio e à Discriminação 2026. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2025, 37,5% das mulheres brasileiras de 16 anos ou mais sofreram algum tipo de violência, 31% já sofreram ofensas verbais e 49% foram vítimas de assédio no último ano – a maior taxa, se comparada aos anos anteriores da pesquisa. 

“A partir dos números que crescem na sociedade brasileira, vemos a necessidade de debater a questão do assédio, especialmente nas instituições públicas”, disse a procuradora federal Daniela Carvalho. “O assédio, seja ele moral, sexual, eleitoral ou vertical, causa danos psicológicos, sociais, físicos e profissionais relevantes na vida das vítimas. Ele não interfere somente no indivíduo, afeta o bem-estar coletivo também”, acrescentou.

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Para o presidente do Comitê de Promoção da Igualdade de Gênero e de Prevenção e Enfrentamento dos Assédios Moral e Sexual e da Discriminação do 1º Grau, desembargador Wagner Cinelli, o problema é um desafio a ser superado. “Existe uma preocupação muito grande do nosso tribunal para tratar o assunto. É um desafio permanente porque, na prática, o assediador, por vezes, não se vê nesse papel”. 

De acordo com a promotora de Justiça Isabela Jourdan, o assédio começa antes do fato em si.

“Ele é pautado na desqualificação, na objetificação e na invisibilização. O combate não é uma opção, é uma obrigação. Existem leis que corroboram com a prática. Algumas iniciativas que auxiliam são voltadas para a educação e formação e para a promoção de um canal de escuta e acolhimento às vítimas”.

O combate ao assédio e à discriminação é fundamentado por lei, que instituiu o Programa de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Sexual e demais crimes contra a dignidade sexual e à violência sexual no âmbito da administração pública, direta e indireta, federal, estadual, distrital e municipal. 

Edição: Graça Adjuto

Três Poderes lançam pacto para enfrentamento ao feminicídio no Brasil


País registra quatro vítimas e 10 tentativas de feminicídio por dia

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil
Brasília
Brasília (DF), 07/12/2025 - O Levante Mulheres Vivas realiza ato na área central de Brasília para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O governo federal, o Congresso Nacional e o Poder Judiciário lançam nesta quarta-feira (4) o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio.

A iniciativa prevê atuação coordenada e permanente entre os Três Poderes com o objetivo de prevenir a violência contra meninas e mulheres no Brasil.

O acordo reconhece que a violência contra mulheres no país figura como uma crise estrutural que não pode ser enfrentada por ações isoladas.

Será lançada ainda uma campanha orientada pelo conceito Todos Juntos por Todas, convocando toda a sociedade a assumir papel ativo no enfrentamento à violência.

Objetivos

Dentre os objetivos do pacto está acelerar o cumprimento de medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar agressores, combatendo a impunidade.

O acordo prevê compromissos voltados à transformação da cultura institucional dos três Poderes, à promoção da igualdade de tratamento entre homens e mulheres, ao enfrentamento do machismo estrutural e à incorporação de respostas a novos desafios, como a violência digital contra mulheres.

A estratégia inclui ainda o site TodosPorTodas.br, que vai reunir informações sobre o pacto, divulgar ações previstas, apresentar canais de denúncia e políticas públicas de proteção às mulheres, além de estimular o engajamento de instituições públicas, empresas privadas e da sociedade civil.

A plataforma vai disponibilizar um guia para download, com informações sobre os diferentes tipos de violência, políticas de enfrentamento e orientações práticas para uma comunicação responsável, alinhada ao compromisso de salvar vidas.

Comitê

O pacto também prevê a criação do Comitê Interinstitucional de Gestão, coordenado pela Presidência da República. O colegiado vai reunir representantes dos Três Poderes, com participação permanente de ministérios públicos e defensorias públicas, assegurando acompanhamento contínuo, articulação federativa e transparência.

Pelo Executivo, integram o comitê a Casa Civil, a Secretaria de Relações Institucionais e os ministérios das Mulheres e da Justiça e Segurança Pública.

Números

Dados do sistema judiciário mostram que, em 2025, a Justiça brasileira julgou em média 42 casos de feminicídio por dia, totalizando 15.453 julgamentos – alta de 17% em relação ao ano anterior.

No mesmo período, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, o equivalente a 70 medidas por hora, segundo o Conselho Nacional de Justiça.

Já o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, registrou média de 425 denúncias por dia, em 2025.

Confira, a seguir, as principais mudanças previstas pelo governo com o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio:

  • medidas protetivas mais rápidas e que funcionem de verdade – menos tempo entre a denúncia e a proteção efetiva da mulher. A ideia é que decisões judiciais, polícia, assistência social e rede de acolhimento passem a agir de forma coordenada, sem empurra-empurra;
  • Três Poderes olhando para o mesmo caso – Executivo, Legislativo e Judiciário, além de órgãos de controle, compartilham informações e acompanham os casos de forma integrada, desde o pedido de ajuda até o desfecho, reduzindo falhas que hoje colocam mulheres em risco;
  • mais prevenção antes da violência virar morte – campanhas permanentes, educação para direitos, capacitação de agentes públicos e ações para mudar a cultura de violência – envolvendo, inclusive, homens como parte da solução;
  • agressores responsabilizados com mais rapidez – processos mais céleres, menos impunidade e respostas mais firmes a quem descumpre medidas protetivas ou comete violência;
  • atenção especial a quem corre mais risco – foco em mulheres negras, indígenas, quilombolas, periféricas, do campo, com deficiência, jovens, idosas e moradoras de áreas remotas ou em maior vulnerabilidade;
  • resposta a novas formas de violência – enfrentamento da violência digital, como perseguição, ameaças e exposição online, que muitas vezes antecedem agressões físicas;
  • cobrança pública de resultados – relatórios periódicos, metas e prestação de contas.

Brasil tem redução recorde na lista Piores Formas de Trabalho Infantil


Em 2024, 560 mil crianças e adolescentes atuavam nas atividades

Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro
Brasília (DF), 10/06/2025- Trabalho infantil Foto: TRT 3ª Região MG
© TRT
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O Brasil atingiu o menor número já registrado de crianças e adolescentes trabalhando em atividades que fazem parte da Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil, conhecida como Lista TIP.

Em 2024, o país tinha 560 mil pessoas de 5 a 17 anos na Lista TIP. Esse resultado representa queda de 39% em relação a 2016, quando o Brasil tinha quase 1 milhão (919 mil) de crianças e adolescentes nessas atividades. Em comparação a 2023 (590 mil), o recuo foi de 5%.

O dado de 2024 representa 1,5% do total de 37,9 milhões de crianças de 5 a 17 anos no país.

A constatação está em edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na trajetória de queda da série histórica iniciada em 2016, o IBGE ressalta que houve recuo ainda mais acentuado (-22,7%) entre 2022 e 2023.

Confira o número de crianças e adolescentes na Lista TIP a partir de 2016:

2016: 919 mil

2017: 762 mil

2018: 763 mil

2019: 707 mil

2022: 763 mil

2023: 590 mil

2024: 560 mil

Por causa da pandemia de covid-19, não houve a pesquisa nos anos 2020 e 2021.

Lista internacional

A Lista TIP é uma relação regulamentada pelo Decreto 6.481 da Presidência da República, de acordo com a Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A relação reúne atividades desempenhadas em locais como serralherias, indústria extrativa, esgoto, matadouros e manguezais, entre outros. São ocupações relacionadas a intenso esforço físico, calor, insalubridade e outras características que podem causar fraturas, mutilações, envenenamento e outros danos aos menores de idade.

Perfil

O IBGE classifica os resultados em três faixas etárias. No universo de 560 mil crianças e adolescentes na Lista TIP, 60% (336 mil) estão faixa de 16 a 17 anos. As faixas de 5 a 13 anos e de 14 e 15 anos representam 12% e 28%, respectivamente.

Enquanto pretos e pardos representam 59,7% do total da população de 5 a 17 anos, quando se observa o conjunto de pessoas na Lista TIP ele responde por 67,1%.

Em relação ao sexo, os homens são 51,2% da população dessa faixa etária e 74,4% do contingente da Lista TIP.

Em termos de remuneração, os pesquisadores apuraram que as crianças e adolescentes em atividades da Lista TIP tiveram remuneração média mensal de R$ 789 em 2024. O valor é abaixo da renda dos brasileiros de 5 a 17 anos que exerciam atividade econômica que não se caracterizava como trabalho infantil (R$ 1.083).  

De acordo com o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, os dados revelam dupla desvantagem para crianças e adolescentes submetidos a atividades da Lista TIP.

“Além de estar em condições de trabalho com maiores riscos ocupacionais, maiores riscos de gerar algum tipo de prejuízo, as crianças também tinham rendimento menor que aquelas que não estavam em situação de trabalho infantil”, avalia.

Informalidade

A pesquisa do IBGE traz um retrato da situação do trabalho infantil no país, que atingiu 1,65 milhão de brasileiros em 2024.

Outro dado que revela avanço é a redução da informalidade entre os 1,090 milhão de adolescente de 16 e 17 anos que realizavam alguma atividade econômica, que atingiu 69,4%. Ou seja, 756 mil faziam trabalho informal.

Essa é a menor taxa registrada pelo levantamento. Em 2022, essa proporção era de 76,3%, a maior já apurada. Em 2016, quando começou a série, era 75,3%.

De acordo com a legislação brasileira, o trabalho de jovens de 16 a 17 anos é permitido apenas com carteira assinada (formal), sendo proibidas atividades insalubres, perigosas e em horário noturno.

Edição: Graça Adjuto