Anvisa atualiza regras sobre controle de qualidade em laboratórios

Medida busca ampliar monitoramento e confiabilidade de ensaios Agência Brasil Brasília © Rudson Amorim/Fiocruz Versão em áudio Nova resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicada nesta sexta-feira (28) redefine as regras para laboratórios públicos e privados responsáveis por ensaios de controle de qualidade em produtos e serviços sujeitos à vigilância sanitária no país. Entre as principais … Leia Mais


Lei cria Junho Vermelho para incentivar doação de sangue

Norma prevê ações de conscientização e iluminação de prédios públicos Agência Brasil Brasília © Hemorio/Divulgação Versão em áudio O mês de junho passará a integrar o calendário de ações de incentivo à doação de sangue. De acordo com a Lei 15.491/2026, o poder público produzirá materiais educativos e campanhas com foco no aumento dos estoques nos … Leia Mais


Anvisa suspende produtos de farmácias de manipulação irregulares

Medidas também atingem produtos à base de cannabis sem autorização e gases medicinais fabricados por empresa sem licença Por: Ravenna Alves  Rmcarvalho/Getty Images A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da comercialização e da propaganda de produtos de duas farmácias de manipulação após identificar irregularidades na forma como eram divulgados e vendidos. As medidas … Leia Mais


Amamentação reduz risco de doença cardíaca na mãe

Produção de leite libera hormônios que melhoram funções do coração Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro © Valter Campanato/Agência Brasil Versão em áudio A amamentação reduz em cerca de 11% a chance de a mulher desenvolver uma doença cardiovascular em relação a mulher que não amamenta, destaca a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A … Leia Mais


Campanha alerta sobre imunização contra vírus que causa bronquiolite

Vírus sincicial respiratório afeta principalmente menores de 2 anos Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil Versão em áudio A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lançou a campanha Todos contra o VSR – Proteção desde o Início. O objetivo é ampliar o conhecimento de gestantes e da … Leia Mais


Novo remédio contra Alzheimer pode reduzir declínio cognitivo em 50%


Medicamento experimental que atua sobre a proteína tau mostrou resultados promissores em pacientes com Alzheimer em grau leve

 Magnfic
Ilustração colorida, em tons azuis, brancos e laranjas, de silhueta umana com ênfase da imagem no cérebro danificado pelo alzheimer - Metrópoles.

Uma nova terapia experimental para a doença de Alzheimer apresentou resultados promissores em um estudo internacional e deve avançar para a fase 3, considerada a última etapa antes de um possível pedido de aprovação pelas agências reguladoras.

O medicamento, chamado diranersen (BIIB080), atua de forma diferente dos tratamentos mais recentes: em vez de combater a proteína beta-amiloide, ele reduz a produção da proteína tau, um dos principais marcadores da doença fortemente relacionado à perda de memória e ao avanço dos sintomas.

Os resultados foram apresentados durante a Alzheimer’s Association International Conference (AAIC) 2026, em Londres. Segundo a Biogen, responsável pelo desenvolvimento da terapia, trata-se da primeira vez que um medicamento direcionado à proteína tau demonstra, em um estudo de fase 2, redução da proteína no cérebro acompanhada por sinais de benefício clínico.

estudo, chamado CELIA, acompanhou 416 pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pelo Alzheimer durante 18 meses. Os participantes receberam diferentes doses do medicamento ou placebo.


Principais achados do estudo

  • 416 pacientes com Alzheimer em estágio inicial;
  • Acompanhamento por 18 meses;
  • Redução de até 50% do declínio cognitivo, dependendo da escala utilizada;
  • Diminuição de 50% a 65% da proteína tau no líquido que envolve o cérebro;
  • Redução dos depósitos da proteína tau observada em exames de imagem;
  • Perfil de segurança considerado favorável, sem registro de edema cerebral (ARIA);
  • A Biogen informou que o medicamento seguirá para a fase 3 de estudos.

Como o medicamento funciona?

O Alzheimer é marcado pelo acúmulo de duas proteínas no cérebro: a beta-amiloide, que forma placas entre os neurônios, e a tau, que cria emaranhados dentro das células nervosas.

Enquanto os medicamentos mais recentes têm como alvo a beta-amiloide, o diranersen foi desenvolvido para diminuir a produção da proteína tau. A expectativa dos pesquisadores é que isso ajude a desacelerar a perda das funções cognitivas, como memória, atenção e raciocínio.

A terapia é administrada por via intratecal, por meio de uma punção lombar, procedimento que permite levar o medicamento diretamente ao líquido que circula ao redor do cérebro e da medula.

Os pesquisadores avaliaram três doses do medicamento. Curiosamente, a menor delas, de 60 mg aplicada a cada 24 semanas, apresentou os melhores resultados.

Na comparação com o placebo, essa dose reduziu o declínio cognitivo em 26% na escala CDR-SB, em 42% na ADAS-Cog13 e em 50% na Mini-Mental State Examination (MMSE), um dos testes mais conhecidos para avaliar memória e outras funções cognitivas.

Apesar dos resultados positivos, o estudo não atingiu seu objetivo principal, que era demonstrar uma melhora progressivamente maior com doses mais altas. Ainda assim, a Biogen destaca que cinco dos seis desfechos clínicos analisados favoreceram o medicamento, o que sustentou a decisão de iniciar a fase 3.

Embora os resultados sejam considerados promissores, o diranersen ainda não pode ser usado na prática clínica. A próxima etapa reunirá um número maior de participantes para confirmar se os benefícios observados se repetem e se o tratamento mantém um perfil de segurança adequado.


SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV


Farmanguinhos internaliza processo desde 2020 e aguarda aval da Anvisa

Tâmara Freire – Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro
dolutegravir usado no SUS contra o HIV. Foto: Agência de Notícias da Aids/ Divulgação
© Agência de Notícias da Aids/ Divulgação
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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para produzir o principal remédio utilizado para o tratamento do HIV no Brasil, o antiretroviral dolutegravir, que é distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento no país.

O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento para HIV pertencente à biofarmacêutica GSK. Em 2020, ambas assinaram um contrato com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz para nacionalizar progressivamente a produção do remédio e distribuí-lo ao SUS.

Desde então, Farmanguinhos vem realizando investimentos para adaptar sua planta fabril, adquirir novos equipamentos, capacitar seus profissionais e promover estruturação técnica, regulatória e operacional para garantir a internalização da produção. Este processo acaba de ser concluído, e o início do fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Desde 2022, o instituto da Fiocruz já faz a distribuição para o SUS dos remédios produzidos em fábricas da GSK. Mais de 739 milhões de cápsulas já foram fornecidas para a saúde pública desta forma. Em 2025, Farmanguinhos também assumiu as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.

Três lotes do remédio já foram fabricados e validados pelo instituto e poderão ser distribuídos para o SUS, assim que a liberação da Anvisa for expedida. Paralelamente, o instituto trabalha na validação da metologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo.

O acordo de transferência de tecnologia inclui mais uma etapa: a internalização da produção do dolutegravir em combinação com outra substância, a lamivudina. Esse formato também é distribuído pelo SUS. A expectativa é que essa produção comece a ser feita por Farmaguinhos no ano que vem.

Medicamento recomendado pela OMS

Dolutegravir é um dos principais medicamentos utilizados no tratamento para HIV em todo o mundo. Ele age inibindo a enzima integrase, o que impede a replicação do vírus dentro das células de defesa do organismo. Além de ser altamente eficaz, reduzindo a carga viral a níveis indetectáveis, ele melhora a imunidade e impede a progressão para a AIDS, com poucos efeitos colaterais.

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o medicamento como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha em todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.

Edição: Vinicius Lisboa


Martagão realiza procedimento inédito para pacientes cardiológicos do hospital


O Hospital Martagão Gesteira realizou, em julho, um procedimento inédito para pacientes cardiológicos da instituição. Com a implantação da técnica de Fechamento Percutâneo de Comunicação Interatrial (CIA) e a ampliação da estrutura hospitalar, foi realizada a primeira intervenção em um adolescente de 14 anos diagnosticado com essa cardiopatia congênita, caracterizada por uma abertura no septo que separa os átrios do coração. A alteração provoca uma passagem anormal de sangue entre as câmaras cardíacas, causando sobrecarga de volume.

Segundo a coordenadora da cardiologia pediátrica do Martagão, Mila Simões, até então o tratamento era realizado por meio de cirurgia cardíaca aberta.

“Antes, para corrigir esse tipo de CIA, a criança precisava passar por uma cirurgia com abertura do tórax, submetendo-se aos riscos de um procedimento invasivo e à necessidade de internação em leito de UTI”, explica.

Com o Fechamento Percutâneo de CIA, a correção é feita de forma minimamente invasiva. “A médica hemodinamicista utiliza um cateter introduzido pela perna da criança até alcançar o coração, onde o orifício é fechado, sem necessidade de cirurgia aberta”, detalha Mila Simões. A recuperação também é mais rápida, permitindo que o paciente receba alta no mesmo dia.

A oferta do procedimento foi possível após a reestruturação do hospital nos últimos anos, que incluiu a implantação do setor de hemodinâmica. A nova estrutura ampliou a capacidade assistencial do Martagão e passou a viabilizar tratamentos que antes não eram realizados na instituição.

“É uma grande conquista para o Martagão poder oferecer esse tipo de tratamento aos seus pacientes. É tecnologia avançada que permitirá melhores resultados”, conclui a médica.

Hospital de alta complexidade e quaternário, o Martagão atende, há mais de 60 anos, crianças e adolescentes de toda a Bahia. Realiza atendimentos especializados, cirurgias de alta complexidade e exames. Dispõe de aproximadamente 239 leitos (dado no CNES), além de UTI, UTI neonatal e uma Unidade de Treinamento para Desospitalização (UTD).

De acordo com o DataSUS e considerando a faixa pediátrica, o Martagão foi responsável, em 2025, por cerca de 50% das cirurgias oncológicas feitas pelo SUS, 50% dos tratamentos oncológicos, 20% das cirurgias neurológicas e 30% das cirurgias cardíacas. O hospital fez 100% dos transplantes de medula óssea em crianças e adolescentes pelo SUS e, por ano, realiza em média 230 mil atendimentos em 27 especialidades médicas.


SUS oferta insulina glargina para crianças, adolescentes e idosos


 

Mais moderno, remédio tem dose diária única

Agência Brasil
Brasília
SUS começa a oferta nacional de insulina glargina para crianças, adolescentes e idosos em todo o país. Foto: MS/Divulgação
© MS/Divulgação
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Ministério da Saúde está substituindo gradualmente a insulina NPH pela glargina no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida beneficiará pacientes de 2 a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1 e pessoas com 70 anos ou mais diagnosticadas com diabetes tipo 1 ou tipo 2.

Até essa segunda-feira (13), o Ministério da Saúde já havia encaminhado mais de 254 mil tubetes de insulina glargina a 16 estados. Também foram distribuídas 52.350 canetas reutilizáveis para a aplicação do medicamento. Todas as unidades da Federação devem receber o medicamento até o fim de julho.

O acesso ao medicamento ocorrerá mediante avaliação clínica e prescrição médica, com oferta nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de todo o país.

Considerada opção terapêutica mais moderna, a insulina glargina tem ação prolongada e, na maioria dos casos, requer apenas uma aplicação diária.

Outros esquemas de tratamento podem exigir até três aplicações no mesmo período.

Segundo o ministério, o uso da insulina glargina proporiona controle mais estável da glicemia e reduz o risco de episódios de hipoglicemia.

A expectativa é que a mudança proporcione mais segurança e qualidade de vida aos pacientes atendidos pelo SUS.

Acesso

Para acessar a insulina glargina, o paciente deve procurar a UBS mais próxima de sua residência com a receita médica devidamente emitida e carimbada. 

No caso de crianças e adolescentes, pais, responsáveis ou cuidadores também podem pedir a substituição da insulina NPH pela nova opção terapêutica.

Os usuários serão atendidos por uma equipe multiprofissional, responsável por avaliar o quadro clínico e verificar a possibilidade de transição do tratamento.

Junto com a insulina glargina, será disponibilizada uma caneta reutilizável para aplicação, com validade de três anos, além das agulhas necessárias para a administração do produto.

Edição: Talita Cavalcante


Perder fôlego ao subir escada pode ser sinal de insuficiência cardíaca


Dia nacional de alerta contra a doença é lembrado nesta quinta-feira

Tâmara Freire – Repórter da Agência BrasilRio de Janeiro
leito hospitalar
© Reuters/Direitos Reservados
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Perder o fôlego ao subir uma escada pode não ser apenas falta de condicionamento físico. Nesta quinta-feira (09), a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) chama atenção para o Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca, doença que já afeta cerca de 1,7 milhão de brasileiros.

Os principais sintomas são comuns: dificuldade respiratória durante esforço, fadiga muscular e retenção de líquidos. Por isso, podem ser confundidos com os efeitos do sedentarismo ou do envelhecimento. Mas de acordo com o cardiologista Marcus Simões, membro da SBC, é importantíssimo consultar um especialista.

“Durante o esforço físico, o coração é mais requisitado. Quando você força a musculatura, ela tem que receber mais sangue, e aí o coração tem que bombear mais sangue. Então, é na hora do esforço que o coração usualmente demonstra que não está bem”

A condição é mais frequente em idosos e mulheres. Simões, que coordena a diretriz brasileira de insuficiência cardíaca da entidade, acrescenta que a condição se desenvolve a partir de alguma outra doença cardíaca, como sequela de um infarto, por exemplo.

“Também pode se manifestar quando uma válvula do coração está doente, ou por doenças crônico-degenerativas, como diabetes e a hipertensão, que vão lesando lentamente o músculo do coração. Temos também algumas doenças regionais, como a doença de Chagas”, complementa o médico.

Em decorrência, “o coração não consegue fazer o trabalho adequado de receber o sangue e bombeá-lo, para levar o sangue para diferentes tecidos do corpo”. Neste momento é que começam os sintomas, explica o médico.

Portanto, a insuficiência pode ser a primeira manifestação de diversas doenças graves. “O paciente pode ter múltiplas internações hospitalares, porque ele descompensa e tem um risco de mortalidade de 30% a 50% ao longo de 5 anos”, alerta Marcus Simões.

O diagnóstico é feito principalmente a partir do exame clínico do médico, confirmado por exames simples. “Para obter uma diferenciação e fechar o diagnóstico, a gente pode lançar mão do raio-x de tórax, ecocardiograma, ultrasson do coração e exames de sangue, com biomarcadores.”

Além disso, a insuficiência cardíaca pode ser controlada com remédios.Os principais medicamentos são distribuídos pelo Sistema Único de Saúde. No entanto, quando os pacientes não seguem o tratamento, podem desenvolver um quadro agudo, que geralmente exige internação.

De acordo com a SBC, cerca de 1/4 dos casos de descompensação ocorrem pela interrupção do tratamento. A piora do quadro também pode ser causada por infecções, arritmias, hipertensão, infarto e miocardite.

Outra medida essencial para o controle da doença é a reabilitação física: “Tanto o coração quanto a musculatura esquelética precisam de atividade física. A ideia é aliviar os sintomas, tratar a insuficiência cardíaca, tratar a doença de base que levou à insuficiência, para permitir que o paciente faça exercícios graduados e progressivos, para reassumir sua qualidade de vida.”

Essas orientações devem constar na nova diretriz brasileira para o tratamento da insuficiência cardíaca, que será lançada em outubro.

O documento vai reunir as evidências científicas mais atuais para orientar a prática clínica dos médicos do país e será apresentado durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, no Rio de Janeiro.

Edição: Maria Claudia