Veterinário alerta para os cuidados com a esporotricose; BA já registrou quase 100 casos em 2026


Thiago Henrique Carvalho de Souza, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, explica como a doença é transmitida para humanos

Segundo a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), em 2025 foram registrados 951 casos de esporotricose em humanos. Até o momento, considerando este mês de março, já são 98 casos no Estado. A infecção fúngica, comum em gatos, é uma espécie de micose subcutânea que ocorre quando o fungo Sporothrix schenckii, presente no solo, vegetais e matéria orgânica em decomposição, penetra na pele através de pequenos cortes ou arranhões.
Embora possa afetar qualquer pessoa, a esporotricose é mais comum em indivíduos que manipulam plantas, solo ou animais, como jardineiros, agricultores, veterinários e, claro, tutores de pets. Ainda de acordo com a Sesab, em toda a Bahia, o paciente típico diagnosticado com esporotricose possui um perfil demográfico muito bem definido. A doença atinge majoritariamente as mulheres, com uma média de 64% dos casos entre 2021 e 2026.
Segundo Thiago Henrique Carvalho de Souza, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, gatos são especialmente suscetíveis à esporotricose e são mais propensos a transmitirem a doença para humanos. “Os sintomas em gatos incluem lesões ulceradas na pele, secreção nasal e, em casos graves, dificuldade respiratória. O tratamento em animais envolve o uso de antifúngicos e cuidados específicos recomendados por veterinários”, alerta Thiago.
O veterinário explica que os sintomas da esporotricose em humanos variam dependendo da forma da infecção. “A esporotricose cutânea é a forma mais comum, caracterizada pelo surgimento de nódulos indolores no local da infecção, geralmente nas mãos ou braços. Além disso, há a forma cutânea linfática, em que os nódulos podem se espalhar ao longo dos vasos linfáticos, formando uma cadeia de lesões; a forma pulmonar, que causa tosse persistente, dor no peito e dificuldades respiratórias; e a forma disseminada, que apresenta febre, perda de peso e fraqueza generalizada”, explica.
Thiago ressalta que a esporotricose é uma zoonose de extrema complexidade e que o tratamento é fundamental para evitar complicações e a disseminação da doença. Confira algumas dicas:

  • Consulta Médica: Procure um médico ao observar nódulos ou úlceras persistentes na pele.
  • Tratamento Medicamentoso: O tratamento padrão é a administração de antifúngicos orais, como o itraconazol, por um período prolongado, e Anfotericina B em casos graves ou disseminados.
  • Cuidados com a Pele: Manter as lesões limpas e cobertas para evitar infecções secundárias.
  • Uso de Luvas: Utilizar luvas ao manipular plantas, solo ou animais que possam estar contaminados.
  • Cuidados com Animais: Evitar o contato com gatos que apresentam lesões cutâneas, pois são um dos principais transmissores da esporotricose para humanos.
  • Educação e Conscientização: Informar-se e educar outras pessoas sobre os riscos e os cuidados necessários pode ajudar a prevenir a propagação da doença.

Thiago reforça que é essencial levar felinos a uma consulta veterinária para ajudar a identificar a doença e iniciar o tratamento adequado o quanto antes. “A esporotricose é uma doença séria, mas com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria dos casos pode ser tratada com sucesso. A conscientização sobre os sintomas, as formas de transmissão e as medidas preventivas são fatores essenciais para proteger tanto humanos quanto animais dessa infecção fúngica”, finaliza Thiago, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera.

Deixe um comentário