BA ultrapassa os 10 mil casos de violações contra a mulher em 2026; 14% a mais no comparativo com o mesmo período do ano passado


Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania engloba qualquer ato que atente ou viole os direitos humanos da vítima – (Dados atualizados em 15.05.2026)

Dados baseados em pesquisas do DataSenado, da Rede Observatórios da Segurança e Ministério da Justiça (2025-2026), mostram que a violência contra a mulher no Brasil está em níveis críticos desde o ano passado, com cerca de 12 mulheres sofrendo algum tipo de violência a cada 24 horas e uma média de 4 feminicídios diários. Mais de 60% dos casos ocorrem dentro de casa, com um aumento alarmante de 56,6% na violência sexual, afetando majoritariamente crianças e adolescentes.
Segundo o Painel de Dados do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), na Bahia, considerando os casos de violações (qualquer fato que atente ou viole os direitos humanos de uma vítima, como maus tratos, exploração sexual, tráfico de pessoas) contra a mulher em 2026, já foram registrados 10.491 casos. Desse total, apenas 1.274 protocolos de denúncia (Quantidade de registros que demonstra a quantidade de vezes em que os usuários buscaram a ONDH para registrarem uma denúncia. Um protocolo de denúncia pode conter uma ou mais denúncias), foram efetivados. No comparativo com o mesmo período do ano passado o crescimento foi de 14,53%, haja vista que foram 9.160 casos registrados nos cinco primeiros meses de 2025.

 

Neste ano, a capital Salvador é a cidade com o maior número de casos no Estado, com um total de 4.044. (Dados atualizados em 15.05.2026).
Para a coordenadora do curso de Direito da Faculdade Unime Anhanguera Ma. Sabrine Silva Kauss, denunciar qualquer tipo de violência é importante porque pode levar à intervenção imediata das autoridades, a fim de proteger a vítima e garantir a segurança da mulher. Para Sabrine, a denúncia ajuda na responsabilização dos agressores, promove justiça para as vítimas e pode prevenir futuras ocorrências.
“Denunciar esse crime é essencial, pois gera reflexão e inquietação social. Ao denunciar, as vítimas podem receber proteção imediata contra o agressor, seja por meio de medidas de proteção, como ordens de restrição, ou por meio de acesso a abrigos seguros”, ressalta.
A especialista reforça que as denúncias ajudam a dissipar mitos e estigmas em torno da violência doméstica e de gênero, o que fomenta uma conscientização social.
“A denúncia pública pode incentivar a sociedade a abordar a violência de forma mais séria e a promover mudanças nas leis, políticas e práticas sociais para prevenir e responder efetivamente à violência. Como é mês de março é o mês da mulher, trazer esse assunto à tona tem um papel social fundamental acerca de promover iniciativas para dirimirmos, enquanto sociedade, esse problema”.
Sabrine destaca ainda, que denuncia têm acesso a uma variedade de recursos e apoio, incluindo assistência jurídica, abrigo, aconselhamento e serviços de saúde mental, que são fundamentais para ajudar as mulheres a se recuperarem do trauma sofrido.
Por fim, Ma. Sabrine Silva Kauss dá dicas sobre como as mulheres podem pedir ajuda. Confira também os canais de denúncia:

  • Realizar a chamada ao 190 polícia e conversar como se estivesse realizando pedido de delivery, é uma forma muito útil de pedido de socorro, ao perigo eminente sofrido pela mulher;
  • Além disso, qualquer cidadão pode fazer denúncias através da Central de Atendimento à Mulher, pelo número telefônico 180. As delegacias especializadas não são direcionadas a tratar apenas destes tipos penais, permitindo um socorro de forma mais ampla;
  • As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) realizam ações de prevenção, apuração, investigação e enquadramento legal. Nas unidades, é possível solicitar medidas de proteção de urgência nos casos de violência doméstica contra mulheres.
  • Na Bahia, há 15 Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deams) e sete Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher (Neams). Há também a Deam Online, com funcionamento 24 horas para o registro de ocorrências e atendimento. Em Salvador, as unidades ficam na Rua Padre Luís Filgueiras, em Brotas; e na Rua Dr. Walter Almeida, em Periperi. Lista Completa:

Cidades com mais casos registrados na Bahia, segundo o MDHC. Confira:

  • Salvador: 4.044
  • Feira de Santana: 583
  • Vitória da Conquista: 378
  • Camaçari: 265
  • Prado: 165
  • Porto Seguro: 142
  • Juazeiro: 125
  • Itabuna: 116

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